“As nossas escolas lançam-se, definitivamente, na arrojada
experiência do mundo da bola. Com uma Ministra apostada em ser um
género de Scolari da educação, o Ministério investe na divisão
sectarista entre (professores) titulares e suplentes.
Os titulares serão, então, convocados à luz de uma escolha
surpreendente. Mais importante do que saber dar aulas e ter sucesso na
relação educativa com os alunos, interessará saber como pisar a alcatifa dos gabinetes, ter prática de carreira burocrática fora da sala de aulas e,
acima de tudo, não ter tido lesões que obriguem a paragens mais ou menos longas no Campeonato, mesmo que por culpa de qualquer sarrafada alheia.
A táctica é, pois, não ter vida para além do dever. O destino é
entregar a titularidade professoral aos mais dignos ratos de sacristia. Por
isso, não bastará saber marcar golos. E, tal como em alguns clubes de
futebol manhosos, é preciso não esquecer de elogiar o presidente e ser de
uma fidelidade canina ao treinador”.
Vítor Serpa,
Director
In jornal A BOLA
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