Recebi há tempos uma carta dos serviços de água a anunciar, alegremente, que iam deixar de cobrar aluguer do contador. No parágrafo seguinte, porém, apresentavam uma taxa de disponibilidade cujo valor era idêntico ao cobrado pelo aluguer do contador.
Como se falava já do decreto-lei que proibiria estes alugueres, percebi a manobra de diversão e a “esperteza saloia”. Senti que me estava a ser passado um atestado de estupidez.
Pelas notícias de hoje e pelas declarações do representante da associação de municípios, verifica-se que esta foi a estratégia geral das autarquias para não perderem receitas nos serviços de água.
O Secretário do Estado afirmou que «Se for para compensar a perda do aluguer do contador é ilegal, se for para outro fim tem de ser justificado, em função dos objectivos que diz prosseguir: construção, conservação e manutenção dos sistemas públicos». Ora estas afirmações abrem completamente as portas às autarquias para cobrarem essa denominada taxa de disponibilidade.
O mais visível neste episódio foi o seguinte:
- a ingenuidade dos deputados que julgam que fazer uma lei resolve um problema;
- o desrespeito pelas leis e pelos clientes por parte das grandes empresas prestadoras de serviços (o mesmo já se tinha visto na devolução das cauções), incluindo autarquias;
- o “chico-espertismo” que se verifica ser mesmo genético neste país;
- a fraqueza do mexilhão que paga quer goste ou não. Rima e é verdade.
